Trechos de uma reportagem da revista francesa “France Football” sobre o Brasil.
Apesar do lema “Ordem e Progresso”, isto é o que menos se vê no Brasil. A corrupção no país é endêmica, do povo ao governo. A burocracia é cultural, tudo precisa ser carimbado gerando milhões aos cartórios, tudo se desenvolve a base de propinas. Todo o alto escalão do governo está preso por corrupção, mas parte da população acha que são honestos e ainda fazem campanha para eles.
O povo brasileiro dá mais importância ao futebol do que a política a ponto de elegerem jogadores de futebol, como Romário, por exemplo, que usa o descontentamento com a copa para se promover, mas não apresenta nenhum projeto sobre educação ou saúde.
A carga tributária do Brasil é altíssima, maior que da França e os serviços públicos são comparáveis ao Congo.
A presidente do Brasil parece fora da realidade quando diz que este será o melhor mundial de todos os tempos. A FIFA considera o maior erro estratégico de sua instituição.
Confrontos – No ano passado, os brasileiros saíram às ruas em manifestação e pela primeira vez se viu um movimento assim, em um país acostumado a inércia O governo disse que eram baderneiros e reprimiu com violência.
Obras – O Brasil foi o país com mais tempo, na história dos mundiais, de se preparar para a copa, sete anos, mas é o mais atrasado. A França teve apenas três anos e finalizou suas obras um ano e dois meses antes. A África do Sul teve cinco anos e finalizou cinco meses antes. Em menos de três meses para o mundial, o Brasil precisa concluir 15% das obras.
O custo do “Stade de France” foi de 280 milhões de euros, a “Olímpia Stadium” da Alemanha custou menos de 140 milhões de euros. No Brasil, cada estádio custa em média ½ bilhão de euros. Tudo financiado com recursos públicos. Em Brasília estão construindo um estádio com 68 mil lugares sendo que o time local joga na quarta divisão local e tem 600 pagantes.
Transportes – A presidente Dilma Rousseff garantiu que faria um trem-bala, nos moldes do TGV francês, ligando quatro cidades-sede: SP, RJ, BH e Brasília. Em 2009 foram aprovados 13 bilhões de euros no PAC, suficientes para construir uma linha de TGV, de Paris a Cabul no Afeganistão, mas o dinheiro desapareceu e nenhum centímetro di TGV brasileiro foi construído.
Os metrôs não funcionam e não cobrem nem 10% das cidades brasileiras. Os ônibus são precários com atrasos e um sistema complicado e ineficiente. O aeroporto de São Paulo tem menos capacidade de receber passageiros que o aeroporto de Orly, no interior da França. Durante o mundial, preços absurdos por um trajeto de 400 km serão cobrados 1000 euros. Não há trens.
Saúde – Os hospitais públicos são péssimos e comparados a zonas de guerra. Nos últimos dez anos, o número de leitos caiu 15%. O Brasil gasta apenas 4% do PIB com saúde e 12% com funcionários públicos. Na França é o contrário.
Resultado – O Brasil ocupa a 72ª posição entre 100 países, a França a 7ª posição.
Hospedagem – São Paulo ocupa a 68ª posição no ranking das mais visitadas, no entanto se hospedar em um hotel custa em média 40% mais caro do que se hospedar em Paris. Um hotel de baixa qualidade pede em média 800 euros por noite na época do mundial.
Telecomunicações - O minuto do celular é o mais caro do mundo, com sinal péssimo. A Internet 4G não existe na maioria das cidades e a Internet é cara e ineficiente.
Segurança - No Brasil há mais assassinatos do que na Palestina, Síria, Afeganistão e Iraque juntos. Segundo o governo, no ano passado foram 50177 assassinatos. Menos de 1% dos casos são resolvidos. Prisões parecem masmorras e não recuperam ninguém.
Conclusão – O que falta no Brasil é educação. Os números são assustadores mesmo comparados aos seus vizinhos sul americano. A porcentagem de universitários é menor do que no Paraguai. Entre as 300 melhores universidades, nenhuma é brasileira. O Brasil está no 88ª lugar no ranking da ONU. Atrás de Belize, Ilhas Fiji, Uzbequistão...
Postado por: Clóvis e Sandro
Um comentário:
Pois apesar de tudo isso, a Copa ocorreu da melhor forma dentro de campo. Houve problemas sim, mas nem perto de todo o pessimismo da referida revista francesa. Crimes ocorreram, mas poderiam ter ocorrido em qualquer país dito de primeiro mundo.
Mas as obras superfaturadas e as que sequer foram iniciadas são motivos de vergonha e preocupação, pois são valores astronômicos, na casa dos bilhões de euros. Dinheiro que poderia ser utilizado na construção de hospitais por exemplo.
Quanto ao desempenho do nosso time.....todos viram o fiasco em campo na pior derrota da seleção brasileira na história das copas. Mas isso é outra história....
Clóvis Schenkel
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